Economia

Copom atribui corte da Selic à desaceleração da economia brasileira

Ata divulgada nesta terça mostra o juro básico em 13,75% ao ano e alerta que as expectativas de inflação seguem acima da meta até 2027.

Administrador · 22/09/2026

Copom atribui corte da Selic à desaceleração da economia brasileira

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central explicou por que baixou os juros: a economia está perdendo ritmo. A ata do Comitê de Política Monetária divulgada nesta terça-feira (22) aponta a desaceleração da atividade, o recuo da inflação e o peso dos juros altos sobre crédito e consumo como razões para reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.

Segundo o documento, os indicadores conhecidos desde a reunião anterior mostram moderação gradual, mais visível justamente nos setores que sentem primeiro o aperto monetário. O PIB do segundo trimestre confirmou o movimento. Ainda assim, o comitê avalia que a economia segue resiliente e o mercado de trabalho, aquecido.

No campo dos preços, a ata registra perda de força tanto do índice cheio quanto das medidas que expurgam itens voláteis. Em 12 meses, os dois já rodam abaixo do teto do intervalo de tolerância — embora acima do centro da meta. O crédito, diz o colegiado, se comporta como esperado num cenário de política monetária restritiva.

O tom, mesmo assim, é de cautela. As expectativas de inflação continuam desancoradas em todos os prazos analisados: a pesquisa Focus citada no texto projeta 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. Em ambiente assim, escreveu o comitê, exige-se "restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado". O Banco Central cita ainda a incerteza externa, das tensões no Oriente Médio à política de juros das economias avançadas.

Para quem vive de crédito — do produtor rural ao consumidor no cartão —, a queda de 0,25 ponto é pequena e demora a chegar às prateleiras: o efeito do juro sobre a atividade leva meses. As informações são da Agência Brasil.