Economia
Bolsa Família sobe 15,04% e piso vai a R$ 691 em outubro
Decreto assinado nesta quinta corrige os benefícios pela inflação acumulada desde 2023. Novo valor cai na conta a partir de 19 de outubro.
Administrador · 18/09/2026
Divulgação
O Bolsa Família terá reajuste de 15,04% a partir da folha de outubro, e o piso do programa passa de R$ 600 para R$ 691. O decreto que fixa a correção foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (17) e saiu em edição extra do Diário Oficial da União. O dinheiro corrigido começa a ser pago em 19 de outubro.
É a primeira atualização pela inflação desde que o programa foi retomado, em 2023. O percentual corresponde à variação do INPC acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026. A lei que recriou o Bolsa Família em 2023 prevê revisão dos valores em intervalo de no máximo 24 meses.
Quanto muda em cada benefício
O benefício médio por família, que soma as parcelas do programa, sobe de R$ 675 para R$ 777, cerca de R$ 100 a mais. As demais parcelas também são corrigidas:
- Benefício de Renda de Cidadania, pago por integrante da família: de R$ 142 para R$ 164;
- Benefício Primeira Infância, para crianças de até 7 anos incompletos: de R$ 150 para R$ 173;
- Benefício Variável Familiar, para gestantes, nutrizes e jovens de 7 a 18 anos incompletos: de R$ 50 para R$ 58.
Impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o reajuste custa R$ 5,8 bilhões em 2026, considerando só a folha de outubro, e cerca de R$ 22 bilhões em 2027. O governo afirma que o valor será coberto por remanejamentos, sem elevar o limite global de despesas.
Moretti disse que a equipe econômica identificou espaço fiscal para a medida dentro das regras vigentes e que um relatório de avaliação de despesas, com o detalhamento desse espaço, deve ser divulgado nos próximos dias.
A reposição inflacionária é uma medida de justiça social para garantir o poder de compra da população mais vulnerável do país, afirmou o ministro.
Governo cita saída do Mapa da Fome
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, relacionou a retomada do programa à saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, em 2025. O relatório mais recente da FAO, divulgado em julho, mantém o país fora da lista e aponta insegurança alimentar severa em 0,6% da população, o menor índice da série.
Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a correção repõe a perda de poder de compra registrada entre 2023 e 2026 e citou a taxa de desemprego de 5,3% e o rendimento médio do trabalho em nível recorde como outras frentes de renda.