Agro
Empresas de alimentos subestimam riscos climáticos, aponta estudo
Modelos usados pelo setor deixam de considerar eventos simultâneos, pragas, incêndios e outros fatores capazes de interromper cadeias de abastecimento.
Administrador · 15/09/2026
Globo Rural
Ferramentas usadas por empresas de alimentos para medir riscos climáticos deixam de fora ameaças capazes de interromper a produção agrícola e o abastecimento. A conclusão é de um estudo da Food and Land Use Coalition, produzido com a Systemiq e o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável.
Os modelos analisados consideram parcialmente secas e ondas de calor, mas ignoram ou tratam de forma insuficiente incêndios, tempestades, ciclones, pragas, doenças, degradação do solo e problemas na disponibilidade de água.
Eventos podem atingir várias regiões ao mesmo tempo
Outro ponto identificado é a suposição de que cada evento extremo ocorre isoladamente. Segundo o relatório, a mudança do clima aumenta a possibilidade de impactos simultâneos em diferentes áreas produtoras, reduzindo as alternativas para trocar fornecedores.
No Brasil, o estudo menciona a seca de 2021 e 2022 no Rio Grande do Sul, que reduziu fortemente a produção de soja. Também cita perdas agrícolas provocadas pelos incêndios registrados em Goiás em 2024.
A falta de uma medição mais completa dificulta investimentos antecipados em conservação do solo, gestão da água e práticas agrícolas resilientes. Sem calcular o prejuízo evitado, essas despesas podem ser tratadas como opcionais.
O grupo prepara uma nova análise sobre o corredor de soja entre Brasil e China, prevista para janeiro de 2027. O objetivo é estimar perdas evitáveis e o possível retorno de investimentos em adaptação climática.