Ciência
Estudo da Unesp sobre órbitas de asteroides ganha prêmio internacional
Pesquisa liderada por Valerio Carruba, da Unesp de Guaratinguetá, mostrou que uma ressonância pode reduzir encontros próximos entre asteroides e planetas.
Administrador · 14/09/2026
Superinteressante
Um estudo liderado por pesquisadores da Unesp recebeu o CELMEC IX Prize por investigar como a interação entre diferentes forças gravitacionais pode estabilizar a órbita de alguns asteroides. O trabalho foi conduzido por Valerio Carruba, da Faculdade de Engenharia e Ciências de Guaratinguetá.
A pesquisa analisou asteroides co-orbitais, corpos que levam aproximadamente o mesmo tempo que um planeta para completar uma volta ao redor do Sol. A semelhança dos períodos ocorre por causa da ressonância orbital 1:1.
Simulações analisaram Terra, Vênus e Marte
Os pesquisadores combinaram esse fenômeno com o mecanismo von Zeipel, Lidov e Kozai, conhecido pela sigla ZLK. A dinâmica pode alterar de maneira correlacionada a excentricidade e a inclinação das órbitas.
Nas simulações, foram consideradas as influências gravitacionais dos planetas do Sistema Solar e da Lua. Em determinadas configurações, a oscilação da órbita restringe a geometria do movimento e diminui a chance de encontros próximos com um planeta.
O efeito é importante porque os asteroides ligados aos planetas rochosos são mais difíceis de observar e tendem a sofrer perturbações. O estudo identificou configurações ZLK robustas entre co-orbitais da Terra e não encontrou aproximações do planeta durante o período analisado nesses casos.
Prêmio será entregue em encontro internacional
O artigo, intitulado “Co-orbital asteroids of terrestrial planets affected by the von Zeipel, Lidov and Kozai mechanism”, foi publicado na revista Celestial Mechanics and Dynamical Astronomy.
A premiação reconhece artigos originais publicados nas coleções especiais do periódico. Carruba e os demais autores apresentarão os resultados no CELMEC IX, encontro internacional de mecânica celeste marcado para ocorrer entre 14 e 18 de setembro, na Itália.
O pesquisador afirmou que o reconhecimento representa o trabalho coletivo do grupo MASB, que reúne pesquisadores da Unesp, do Inpe e da Universidade de Atacama. O grupo já havia recebido um prêmio CELMEC em 2023.