Economia
Governo autoriza testes de gasolina com 35% de etanol a partir da próxima semana
Portaria do Ministério de Minas e Energia formaliza avaliação da mistura E35. Especialistas alertam para consumo maior e risco em carros antigos.
Administrador · 18/09/2026
O Ministério de Minas e Energia publicou no Diário Oficial da União a portaria que formaliza os testes de uma gasolina com 35% de etanol anidro, contra os 32% atuais. As avaliações começam na próxima semana. A adoção definitiva da mistura, chamada E35, depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética.
O plano faz parte da Lei do Combustível do Futuro, de 2024, que busca reduzir emissões e diminuir a exposição da gasolina brasileira à oscilação do petróleo no mercado internacional. O cronograma foi aprovado pelo comitê técnico do programa.
Histórico da mistura
A gasolina comum teve 22% de etanol por muitos anos. A proporção subiu para 27,5% em 2015, para 30% em agosto de 2025 e para 32% em 1º de agosto de 2026. A E32 foi contestada por fabricantes e importadoras de veículos, e o Ministério Público Federal chegou a pedir a suspensão da distribuição.
Consumo sobe e carros antigos preocupam
O etanol tem poder calorífico equivalente a cerca de 70% do da gasolina. Por isso, especialistas ouvidos pela Autoesporte, como Rogério Gonçalves, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, e Clayton Zabeu, do Instituto Mauá, afirmam que o consumo dos carros flex vai aumentar com mais etanol na mistura. Motores modernos, porém, ajustam a taxa de compressão eletronicamente ao detectar combustível de maior octanagem.
A situação é mais delicada para veículos antigos, calibrados para 22% de etanol. Há risco de corrosão de borrachas e elastômeros e de falhas de sensores que não reconhecem o combustível. Gabriel Estevam Domingos, da Ambipar, defende testar o desgaste de componentes, como correias, antes da adoção.
A solução seria disponibilizar aos donos de carros antigos um combustível com mais gasolina na mistura. O problema é que a gasolina premium é mais cara, avaliou Gonçalves.