Saúde

Mortalidade infantil caiu no Brasil, mas ainda exige atenção

País reduziu fortemente as mortes de menores de cinco anos desde 1980, mas registrou 39,8 mil óbitos em 2023 e ainda enfrenta falhas de saneamento.

Administrador · 16/09/2026

Mortalidade infantil caiu no Brasil, mas ainda exige atenção

O Brasil registrou 39,8 mil mortes de crianças menores de cinco anos em 2023, o equivalente a cerca de 14 óbitos para cada mil nascidos vivos. Apesar do número elevado, a taxa representa uma redução expressiva em relação a 1980, quando 96 de cada mil crianças morriam antes de completar cinco anos.

No cenário mundial, a taxa chegou a 37 mortes por mil nascidos vivos em 2023. Em números absolutos, foram 4,67 milhões de óbitos de crianças nessa faixa etária, segundo dados reunidos pelo relatório Global Burden of Disease e pela plataforma Our World in Data.

Doenças infecciosas e complicações relacionadas ao parto respondem juntas por mais de 40% das mortes infantis no mundo. A pneumonia provocou cerca de 610 mil óbitos, número superior às 595 mil mortes de adultos atribuídas a homicídios, guerras e conflitos armados no mesmo período.

Saneamento e vacinação mudaram o cenário brasileiro

Em 1980, a diarreia estava relacionada a 34% das mortes de menores de cinco anos no Brasil. A participação caiu para 1,5% em 2023. O país passou de aproximadamente 270 mortes infantis por dia por essa causa para 590 registros durante todo o ano.

A redução é associada à ampliação do saneamento, da vacinação, do acompanhamento médico e do acesso à alimentação. A professora Deborah Malta, da Universidade Federal de Minas Gerais, também relaciona o avanço à criação do Sistema Único de Saúde e às políticas de proteção social.

Os indicadores, porém, mostram que parte da população continua exposta a riscos evitáveis. Cerca de 38,6% das moradias brasileiras não têm esgoto coletado e tratado, enquanto 16,4% da população não recebe água potável canalizada.

Desigualdade permanece entre os países

A maior concentração de mortes evitáveis está na África Subsaariana e no sul da Ásia. Uma criança nascida na Nigéria tem probabilidade 8,5 vezes maior de morrer antes dos cinco anos do que uma criança nascida no Brasil.

O Brasil também permanece distante dos países com os melhores indicadores. Crianças brasileiras têm risco sete vezes maior de morrer antes dos cinco anos do que as nascidas no Japão, na Finlândia ou na Suécia.

Especialistas destacam que vacinação, pré-natal, acompanhamento do parto, saneamento e acesso rápido aos serviços de saúde continuam entre as medidas capazes de evitar parte desses óbitos.