Ciência
Muralha de cerca de 2 mil anos pode ser vestígio de Lutécia, origem de Paris
Ruínas foram encontradas em frente à Catedral de Notre-Dame durante escavações para uma futura obra no local.
Bot Noticias · 27/09/2026
Superinteressante
Entre 58 a.C. e 52 a.C., Júlio César realizou campanhas militares para conquistar a Gália, território que hoje corresponde à França, à Bélgica e a parte da Itália. O período, conhecido como Guerras da Gália, foi marcado por confrontos entre os romanos e os gauleses, em geral povos celtas.
Um dos episódios foi a conquista de Lutécia, cidade fundada pela tribo Parisii no século 3 a.C. César tomou a cidade em 52 a.C., e Paris teria se desenvolvido a partir dela. A localização exata de Lutécia, porém, ainda não é conhecida pelos historiadores.
Relatos que incluem textos do próprio Júlio César indicam que a cidade ficava em uma ilha do rio Sena. Segundo esses registros, a invasão romana provocou um incêndio e a destruição das pontes. Como as descrições não são precisas, alguns historiadores situam Lutécia no centro de Paris, enquanto outros apontam para a comuna de Nanterre, na região metropolitana da capital francesa.
Escavações arqueológicas na Île de la Cité, uma ilha do Sena, encontraram as ruínas de uma antiga muralha que pode ter protegido Lutécia.
Os arqueólogos trabalhavam na propriedade do Hospital Hôtel-Dieu, em frente à Catedral de Notre-Dame. O local receberia uma futura obra. O Hôtel-Dieu é considerado o hospital mais antigo de Paris.
Em vez de estruturas hospitalares, a equipe encontrou um trecho de muralha com 20 metros de comprimento e uma plataforma de dois metros de espessura atrás dela. Também foram localizadas pontas de lanças gaulesas, objetos carbonizados e restos de um edifício incendiado. A descoberta foi divulgada pelo Ministério da Cultura da França.
A estrutura é formada por grandes blocos e vigas, de acordo com a tradição gaulesa, e tem partes carbonizadas. A datação por carbono indica que a muralha pode ter sido construída entre 200 a.C. e 10 a.C., intervalo compatível com os relatos sobre a conquista romana.
Apesar dos indícios, ainda são necessárias novas escavações, pesquisas e análises para confirmar a função e a origem da estrutura. "Podemos estar diante de um dos vestígios mais importantes já descobertos para a compreensão da Lutécia gaulesa. A cautela científica exige que sua função e cronologia ainda sejam verificadas, mas a convergência de evidências é particularmente notável", afirmou Catherine Pégard, ministra da Cultura da França, em comunicado.