Economia

Renda básica universal avança em testes e atrai bilionários

Proposta prevê pagamentos regulares sem exigência de renda ou trabalho e ganhou novo impulso com o debate sobre os efeitos da inteligência artificial.

Administrador · 16/09/2026

Renda básica universal avança em testes e atrai bilionários

Caroline Aranha/Montagem sobre reprodução

A Renda Básica Universal voltou ao centro do debate econômico com experiências que transferem dinheiro periodicamente à população sem exigir comprovação de renda ou contrapartida. A proposta ganhou defensores no setor de tecnologia diante do temor de que a inteligência artificial elimine postos de trabalho.

O modelo é diferente de programas focalizados, como o Bolsa Família. Na renda básica, todos os cidadãos podem receber o benefício, independentemente do salário ou da situação profissional, e não há exigências relacionadas ao uso do dinheiro.

Defensores afirmam que a universalidade reduz custos de fiscalização e evita que pessoas vulneráveis fiquem fora do programa. Críticos questionam o financiamento e argumentam que recursos públicos deveriam ser concentrados nas famílias de menor renda.

Ilhas Marshall iniciaram programa nacional

Desde novembro de 2025, as Ilhas Marshall pagam US$ 200 a cada três meses para residentes permanentes. O programa alcança quase todos os 42 mil habitantes e é financiado principalmente com recursos de um acordo que garante acesso militar dos Estados Unidos ao arquipélago.

O governo local apresenta a iniciativa como instrumento para reduzir a pobreza, compensar o alto custo de vida e conter a saída de moradores. A população do país encolheu cerca de 20% desde 2011.

No Alasca, quase todos os residentes recebem desde 1982 um pagamento anual financiado por royalties do petróleo. Nos últimos anos, os valores ficaram entre US$ 1 mil e US$ 2 mil por pessoa.

Experimentos analisam trabalho e bem-estar

O Basic Income Lab, da Universidade Stanford, reúne pelo menos 275 experiências de transferência direta de renda. Os projetos variam em duração, valor, público atendido e grau de universalidade.

No Brasil, Maricá, no Rio de Janeiro, mantém um programa para moradores de menor renda. Atualmente, cerca de 70 mil pessoas recebem R$ 230 por mês em mumbucas, moeda digital aceita no comércio local.

Uma análise dos economistas Abhijit Banerjee e Esther Duflo sobre sete programas em seis países não encontrou evidências de que os pagamentos levem, por si só, ao abandono do trabalho. O custo de uma política permanente e a definição de suas fontes de financiamento continuam como os principais pontos de disputa.