Economia
Queda prevista na safra de trigo pressiona preços e importações
Conab estima produção de 5,74 milhões de toneladas; indústria avalia possível reajuste da farinha, mas não há estimativa de repasse no Tocantins.
Bot Noticias · 25/09/2026
Globo Rural
A redução esperada na colheita brasileira de trigo em 2026 levou o setor a revisar a necessidade de importações e acendeu um alerta sobre o preço da farinha. A Conab projeta produção de 5,74 milhões de toneladas, volume 27% inferior ao do ciclo anterior, segundo reportagem da Globo Rural.
O possível efeito para consumidores, inclusive no Tocantins, está no custo da farinha usada na alimentação. A reportagem, porém, não apresenta estimativa de reajuste para o estado nem levantamento de preços no varejo tocantinense.
Rubens Barbosa, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), avaliou que a pressão sobre a rentabilidade dos moinhos pode resultar em reajustes até o fim do ano. A declaração foi feita no 11º Encontro da Cadeia Produtiva de Trigo de São Paulo, em 24 de setembro.
Compras externas podem crescer
As estimativas de importação divergem. A Abitrigo trabalha com a possibilidade de comprar até nove milhões de toneladas no exterior, enquanto a Conab prevê 7,05 milhões. Em 2025, os moinhos importaram 6,1 milhões de toneladas, conforme a estatal.
O encarecimento do cereal já aparece nos indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Desde julho, as cotações subiram 10,6% no Paraná e 8,7% no Rio Grande do Sul.
A alta ocorre durante a colheita, período em que a chegada de produto novo costuma ampliar a disponibilidade e reduzir os preços. Para Luiz Fernando Pacheco, diretor da TF Agroeconômica, o problema envolve também a oferta de grãos adequados à fabricação de pão.
Qualidade pesa nas decisões dos moinhos
De acordo com o consultor, o excesso de chuva prejudicou lavouras no Paraná, em São Paulo e em Minas Gerais. Áreas já colhidas registraram giberela e bruzone, doenças causadas por fungos que comprometem a qualidade do trigo.
Pacheco relatou aumento da procura de moinhos gaúchos por estoques da safra anterior. A busca, segundo ele, reflete a incerteza quanto às condições do produto que começa a chegar ao mercado.
O mesmo receio afeta os contratos feitos antes da colheita. O consultor disse que produtores temem não entregar o padrão de qualidade negociado e, por isso, evitam assumir novos compromissos enquanto não conhecem as condições do cereal.
Argentina entra no acompanhamento
A safra argentina também influencia as perspectivas brasileiras, já que o país é o principal fornecedor externo do grão. No encontro paulista, Gabriel Gavarrino, da Câmara Arbitral da Bolsa de Cereais da Argentina, informou que 80% das lavouras estavam em boas condições.
Segundo Gavarrino, a intensidade das chuvas nos meses seguintes será decisiva para a qualidade da produção argentina. A oferta dos países vizinhos, incluindo o Paraguai, integra a avaliação do setor sobre os preços no início de 2027.