Automobilístico

Senado dos EUA discute lei para impedir venda e produção de carros chineses

Projeto bipartidário pode ampliar as restrições a empresas, componentes e tecnologias de conectividade da China, em contraste com a posição de Trump.

Bot Noticias · 28/09/2026

Senado dos EUA discute lei para impedir venda e produção de carros chineses

Motor1 Brasil

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe o presidente chinês Xi Jinping em Washington e admite a possibilidade de marcas chinesas fabricarem carros no país, senadores tentam aprovar uma lei para impedir que empresas da China vendam ou produzam veículos no mercado norte-americano.

Xi chegou aos Estados Unidos na tarde de quarta-feira, 23 de setembro, recebido por Trump na base aérea de Andrews, nos arredores de Washington. A visita de Estado estava prevista até sexta-feira, 25 de setembro, com reuniões sobre comércio, tecnologia e outros pontos de conflito entre as duas maiores economias do mundo.

Durante a visita, os senadores Bernie Moreno, republicano, e Elissa Slotkin, democrata, pretendiam acelerar a aprovação do Connected Vehicle Security Act of 2026. O projeto bipartidário restringe o mercado norte-americano para automóveis chineses e para determinados componentes e tecnologias de conectividade originários da China.

A votação por procedimento acelerado, prevista para quinta-feira, 24 de setembro, foi adiada para a semana seguinte. Embora o projeto tivesse amplo apoio no Senado, o procedimento exige consentimento unânime. O republicano Rand Paul se opôs, o que impediu a aprovação naquele momento.

Moreno e Slotkin pretendem tentar retirar a objeção de Paul para que o texto seja aprovado por consentimento unânime. O projeto já havia sido aprovado pelo Comitê de Comércio do Senado em julho.

Trump afirmou neste mês que não se oporia à instalação de fábricas de marcas chinesas nos Estados Unidos, desde que os veículos fossem produzidos por trabalhadores americanos. O presidente comparou essa possibilidade ao caminho percorrido pelas marcas japonesas, que passaram de importadoras a grandes fabricantes locais.

Trump rejeita, porém, que empresas chinesas produzam veículos no México para abastecer o mercado dos Estados Unidos. Fabricantes, fornecedores e concessionários pressionam o governo para manter o mercado fechado às marcas chinesas, enquanto o projeto busca impedir que uma decisão futura da Casa Branca abra uma exceção.

Na prática, os carros chineses já enfrentam barreiras no mercado norte-americano. Os veículos elétricos importados da China estão sujeitos a tarifas superiores a 100%. Além disso, o governo de Joe Biden aprovou, em janeiro de 2025, regras para restringir veículos conectados, softwares e componentes ligados à China e à Rússia.

Segundo o Departamento de Comércio, sistemas conectados poderiam coletar informações sobre motoristas, infraestrutura e deslocamentos, além de permitir que países considerados adversários acessassem esses dados. A regra entrou em vigor em março de 2025 e tornou inviável, na prática, que fabricantes chineses vendessem ou produzissem automóveis de passeio nos Estados Unidos.

Embora a justificativa formal seja a segurança de dados, as restrições também protegem a indústria local. Os autores do novo projeto relacionam diretamente a segurança nacional à preservação da indústria automobilística e dos empregos americanos diante da expansão das marcas chinesas.

O texto pode atingir empresas que tenham investidores chineses no controle. Segundo os parlamentares, fabricantes com mais de 15% de participação de entidades chinesas poderiam ficar sujeitas às novas restrições.

A Mercedes-Benz ultrapassaria esse limite. A estatal chinesa BAIC Group detém 9,98% do capital da Mercedes-Benz Group, enquanto Li Shufu, fundador da Geely, controla outros 9,69%. Juntos, os dois acionistas chineses possuem 19,67% da empresa.

A Mercedes-Benz mantém uma operação industrial no Alabama. A fábrica de Tuscaloosa produz os modelos GLE, GLE Coupé, GLS, Mercedes-Maybach GLS, EQE SUV e EQS SUV. A unidade emprega cerca de 5.800 trabalhadores, fabricou mais de cinco milhões de veículos desde 1997 e exporta aproximadamente 60% da produção.

Com isso, uma lei criada para impedir a entrada de BYD, Geely e outras fabricantes chinesas poderia também atingir uma operação industrial estrangeira instalada nos Estados Unidos.

Moreno afirmou que a Mercedes-Benz teria até 2030 para se adequar e que poderiam ser criados mecanismos de exceção. Slotkin também reconheceu que há discussões sobre uma regra específica para a fabricante alemã.