Ciência

Supercorrente pode permitir leitura menos destrutiva de qubits

Estudo teórico de pesquisadores do Brasil e da China propõe usar o sinal do próprio qubit de Andreev, dispensando circuitos auxiliares.

Bot Noticias · 25/09/2026

Supercorrente pode permitir leitura menos destrutiva de qubits

Agência FAPESP

Uma proposta teórica usa uma corrente elétrica do próprio sistema quântico para obter informações sobre um qubit de Andreev sem recorrer a qubits auxiliares. O estudo foi coordenado por José Carlos Egues, da Universidade de São Paulo, e Yugui Yao, do Instituto de Tecnologia de Beijing.

Qubits são as unidades básicas de informação dos computadores quânticos. Como uma medição direta pode modificar o estado que se deseja conhecer, pesquisadores buscam métodos de leitura que reduzam essa interferência.

A estratégia descrita no trabalho aproveita uma supercorrente que oscila conforme o qubit evolui. A parte constante e a amplitude da oscilação indicariam a participação dos estados básicos, enquanto o momento do sinal ajudaria a identificar a relação de fase.

Como o sistema funcionaria

O qubit de Andreev é formado em uma estrutura nanométrica conectada a materiais supercondutores. A corrente circularia por um circuito fechado e produziria um campo magnético variável.

Um SQUID, instrumento sensível a campos magnéticos muito fracos, detectaria essas variações. A partir do sinal captado, os pesquisadores propõem reconstruir o estado do qubit com perturbação reduzida.

Simulações que incluíram ruído e a influência do dispositivo de medição apresentaram fidelidades entre 99,52% e 99,85%, de acordo com o estudo. Os autores destacam, porém, que o trabalho ainda é teórico e precisa ser validado em um experimento.

Possível aplicação

Se confirmado, o método poderia simplificar a leitura de qubits de Andreev e evitar reinicializações sucessivas. A proposta utiliza tecnologias de detecção já conhecidas, mas depende da construção da geometria específica apresentada pelos pesquisadores.